Saúde e Bem Estar
 
 
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Particularidades do alcoolismo feminino

 

    A prevalência do alcoolismo entre as mulheres ainda é significativamente menor que a encontrada entre os homens. Ainda assim, o consumo abusivo e/ou a dependência do álcool traz, reconhecidamente, inúmeras repercussões negativas sobre a saúde física, psíquica e "social" da mulher.

 

    Um estudo constatou um maior risco relativo para suicídio e acidentes fatais entre mulheres que consumiam acima de três doses diárias de bebidas alcoólicas. Dados recentes confirmam que, mesmo que o consumo de álcool seja realmente menor entre as mulheres, seu impacto pode ser maior que entre os homens, avaliado por meio do relato de problemas associados ao álcool.

 

    A identificação do alcoolismo feminino em atendimentos primários de saúde parece ser deficiente e pouco valorizada. Apesar disso, observa-se um crescente aumento do abuso de álcool e de outras drogas ilícitas, como a cannabis e a cocaína, além do já conhecido abuso de anfetaminas. O consumo abusivo de álcool e de outras substâncias já é maior em algumas populações específicas, como entre os adolescentes avaliados em estudos nos EUA.

 

    Nessa população, a adolescência representava o período de maior risco de consumo de drogas entre as mulheres, consumo este já significativamente maior que o dos homens para cocaína. Como podemos observar, estes números já atingiram valores preocupantes, colhidos em alguns países com dados epidemiológicos mais precisos, já apontavam nos anos 80 para o fato de dois terços da população feminina do Estado de New York (EUA), até 25 anos de idade, já ter feito uso de cannabis. Além disso, boa parte (20%) dessa população ainda se utilizava desta substância com uma freqüência importante.

 

    A preocupação com o impacto do abuso e dependência de álcool entre as mulheres, com suas particularidades, também já foi alvo de pesquisas em nosso meio; dentre as principais observações realizadas, destaca-se o fato de que o início e o aumento do consumo de álcool, entre as mulheres estudadas, era mais tardio; elas também relatavam mais tentativas de suicídio, além de menor utilização concomitante de outras drogas ilícitas comparativamente aos homens.

 

    O aumento tardio no consumo de álcool também foi encontrado em trabalho de Wojnar et al. (1997), avaliando dados retrospectivos de 1.179 pacientes poloneses (13,8% mulheres). Este mesmo estudo apontou para uma maior prevalência, entre as mulheres, de transtornos de personalidade co-existentes, transtornos depressivos, transtornos de ansiedade, além de abuso de benzodiazepínicos e barbitúricos.

 

    O referido estudo está de acordo com outros anteriores, exceto no que se relaciona à prevalência de transtornos de personalidade, encontrados, até então, de forma mais freqüente entre os homens (Hesselbrock et al., 1985; Ross et al., 1988; Wilcox e Yates, 1993). Dados obtidos de pacientes internadas por alcoolismo apontaram para o abuso freqüente de mais de uma substância psicoativa entre as mulheres, principalmente analgésicos e tranqüilizantes.

 

    Aspectos socioculturais também influenciariam de forma particular o padrão de consumo de álcool entre as mulheres. Mulheres acima de 40 anos estariam expostas a um maior aumento do consumo alcoólico, associado a uma falta de estrutura familiar, o que não ocorreria entre os homens.

 
 
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